quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Apelo


Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relanceno espelho.


Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.


E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada - meu jeito de querer be,. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.


(In: Alfredo Bosi(org.). O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix/Edusp, 1975. p.190.)


Escreva uma carta em que você é a Senhora que saiu de casa, relatando porque se foi, onde e como está e se pretende voltar. Dê asas a sua imaginação!

Uma família

Imagine a seguinte cena:

Uma família(pai, mãe, uma filha de 6 anos, um bebê de 7 meses, um filho de 15 anos) dentro de um carro não muito novo, indo à praia; um calor infernal de verão, uma chuva forte que obriga os passageiros a fecharem os vidros. O bebê faz cocô e o cheiro se espalha; a menina deixa o refrigerante cair no colo do irmão. O bebê começa a chorar, o filho de 15 anos da um tapa na irmã. A situação fica tensa e inicia-se uma discussão familiar.

Escreva um texto que reproduza essa cena, tentando mostrar a tensão criada pelo espaço em que as personagens se encontram.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Madredeus

Haja o que houver

haja o que houver
eu estou aqui
haja o que houver
espero por ti
volta no vento
ó meu amor
volta depressapor favor

há quanto tempo
já esqueci
porque fiquei
longe de ti
cada momento
é pior
volta no vento
por favor

eu sei, eu sei
quem és para mim
haja o que houver
espero por ti

Esta letra foi retirada do site www.letrasdemusicas.com.br
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Rosas


As Rosas Não Falam

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminado o verão
Enfim
Volto ao jardim
Na certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas os meus sonhos
Por fim
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas os meus sonhos
Por fim.
(Cartola)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O silêncio de Cristo



O silêncio de Cristo

Por Autor anônimo



Uma antiga lenda norueguesa narra este episódio sobre um homem chamado Haakon, que cuidava de uma ermida à qual muita gente vinha orar com devoção. Nesta ermida havia uma cruz muito antiga, e muitos vinham ali para pedir a Cristo que fizesse algum milagre.



Certo dia, o eremita Haakon quis também pedir-lhe um favor. Impulsionava-o um sentimento generoso. Ajoelhou-se diante da cruz e disse:
– Senhor, quero padecer por vós. Deixai-me ocupar o vosso lugar. Quero substituir-vos na Cruz.
E permaneceu com o olhar pendente da cruz, como quem espera uma resposta.
O Senhor abriu os lábios e falou. As suas palavras caíam do alto, sussurrantes e admoestadoras: - Meu servo, cedo ao teu desejo, mas com uma condição.
– Qual é, Senhor?, Perguntou com acento suplicante Haakon. É uma condição difícil? Estou disposto a cumpri-la com a tua ajuda!
– Escuta-me: Aconteça o que acontecer, e vejas tu o que vires, deves guardar sempre o silêncio. Haakon respondeu: - Prometo-o, Senhor!
E fizeram a troca sem que ninguém o percebesse. Ninguém reconheceu o eremita pendente da cruz; quanto ao Senhor, ocupava o lugar de Haakon.
Durante muito tempo, este conseguiu cumprir o seu compromisso e não disse nada a ninguém. Certo dia, porém, chegou um rico. Depois de orar, deixou ali esquecida a sua bolsa. Haakon viu-o e calou. Também não disse nada quando um pobre, que veio duas horas mais tarde, se apropriou da bolsa do rico. E também não quando um rapaz se prostrou diante dele pouco depois para pedir-lhe a sua graça antes de empreender uma longa viagem.
Nesse momento, porém, o rico tornou a entrar em busca da bolsa. Como não encontrasse, pensou que o rapaz se teria apropriado dela; voltou-se para ele e interpelou com raiva:
– Dá-me a bolsa que me roubaste!
O jovem, surpreso, replicou-lhe:– Não roubei nenhuma bolsa!
– Não mintas; devolve-ma já!
– Repito que não apanhei nenhuma bolsa!
O rico arremeteu furioso contra ele.
Soou então uma voz forte: - Pára!
O rico olhou para cima e viu que a imagem lhe falava. Haakon, que não conseguiu permanecer em silêncio diante daquela injustiça, gritou-lhe, defendeu o jovem e censurou o rico pela falsa acusação. Este ficou aniquilado e saiu da ermida. E o jovem saiu também porque tinha pressa para empreender a sua viagem.
Quando a ermida ficou vazia, Cristo dirigiu-se ao seu servo e disse-lhe:
– Desce da Cruz. Não serves para ocupar o meu lugar. Não soubeste guardar silêncio.
– Mas, Senhor, como podia eu permitir essa injustiça?Trocaram de lugar. Cristo voltou a ocupar a cruz e o eremita permaneceu diante dela.
O Senhor continuou a falar-lhe:
– Tu não sabias que era conveniente para o rico perder a bolsa, pois trazia nela o preço da virgindade de uma jovem. O pobre, pelo contrário, tinha necessidade desse dinheiro e fez bem em levá-lo; quanto ao rapaz que ia receber os golpes, as suas feridas o teriam impedido de fazer a viagem que, para ele, foi fatal: faz uns minutos que o seu barco acaba de soçobrar e que ele se afogou. Tu também não sabias isto; mas eu sim. E por isso me calo.
E o Senhor tornou a guardar silêncio.
Muitas vezes nos perguntamos por que Deus não nos responde. Por que Deus se cala? Muitos de nós quereríamos que nos respondesse o que desejamos ouvir, mas Ele não o faz: responde-nos com o silêncio. Deveríamos aprender a escutar esse silêncio.
O Divino Silêncio é uma palavra destinada a convencer-nos de que Ele, sim, sabe o que faz. Com o seu silêncio, diz-nos carinhosamente:
“Confia em mim, sei o que é preciso fazer!”

sábado, 12 de julho de 2008

Parto Normal

No dia 19 de maio de 2006, uma sexta-feira, às 21:31min, nasceu nosso filho João Marco. Lembro-me como se fosse agora, meu menino no alto ainda com o cordão umbilical, chorando um pouco e com os mesmos traços de hoje, em tamanho reduzido. João Marco foi planejado, desejado, esperado e é muito amado. Já pensava assim e quando engravidei tive a certeza de que se tudo corresse bem teria meu filho de parto normal. Nunca tive medo. Sempre esperança, sempre verde e viva no meu coração e no meu corpo. Às vezes, ficava um pouco triste porque meu pai já falecido não estava aqui para ver tudo, mas sabia que se estivesse estaria feliz também. Mesmo com plano de saúde e com muito interesse médico em fazer cesariana fui firme até o fim, ou melhor, até o começo da vida de João Marco fora da minha barriga. Durante a semana que antecedeu o parto, eu dormia pouco pois, à noite, as dores aumentavam, fui ao médico acho que na quarta-feira e ainda não tinha dilatação. Mas na sexta-feira, pela manhã, após tomar um banho e o meu café, liguei para o médico e, como ele estava de plantão no hospital, pediu que eu não comesse nem bebesse mais nada e fosse até lá. Ele tinha me dado um prazo máximo até a próxima terça-feira em que provavelmente faria a cesariana. Mas João Marco tão tranquilo quanto a mãe nasceu no dia certo como eu tanto desejei e minha família (marido e mãe) concordaram. Recordo-me que minha mãe, após o parto me disse: "Minha filha, como você foi corajosa. Foi como você sonhou". E foi mesmo. Quando a dilatação já estava bem adiantada tomei algumas picadinhas na coluna para diminuir a dor e ainda contrair.
Se for possível, por vontade divina e desejo maternal a mulher deve ter o direito a ter seu filho naturalmente. É uma bençaõ de Deus, um presente de Deus. Sinto-me feliz e cada dia mais mãe de meu filho joãozinho. Eu o amo muito e quero vê-lo muito feliz.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se jogou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado
Endereços para saber mais sobre Manuel Bandeira:
www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2005/nl/tetxt1.htm
pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Bandeira
www.releituras.com/mbandeira_bio.asp

sábado, 28 de junho de 2008

Poema tirado de uma notícia de jornal
Manuel Bandeira

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número.Uma noite ele chegou no bar Vinte de NovembroBebeuCantouDançouDepois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.O poema é um texto narrativo, embora curto, revela com objetividade a dura realidade vivida pelo único e principal personagem: João, de sobrenome intencional Gostoso, que tem profissão e moradia precária. Não se sabe porque, o tempo narrativo é pouco preciso, à noite, João festejou a vida e despediu-se dela num local significativo para a cidade do Rio de Janeiro. O poema reflete a vida comum e única e bem poderia estar em uma manchete de jornal.
Para pensar: Por que João Gostoso se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas?
E outras questões deste poema que possam aparecer são bem vindas.